É uma manifestação cultural, de cunho religioso, em devoção a São Sebastião. Assemelha-se à Folia de Reis nas vestimentas, na organização e na peregrinação. Sua jornada ocorre entre os dias 6 de janeiro (Dia dos Santos Reis) e 20 do mesmo mês, dia dedicado ao “Santo Mártir Guerreiro”, São Sebastião. Já a Folia de Reis cumpre a peregrinação para anunciar o nascimento de Jesus entre os dias 24 de dezembro e 6 de janeiro. Outra diferença é que na Charola não há palhaços, e a jornada é cumprida no período diurno, sempre das 6 horas da manhã até as 18h.

No começo eram apenas os foliões. As quatro dançarinas foram introduzidas no final dos anos 1970. “Fomos cantar em Anutiba e havia um grupo de moças estudantes que acompanhou o grupo. Foi numa festa. Gostamos da ideia”, lembra Izaías Quirino da Silva, mestre do grupo. Desde então há dançarinas no grupo, variando de quatro a cinco, sempre da família Quirino.
Há um único grupo em atividade no Espírito Santo. É a Charola de São Sebastião de Alto Paulista e Jacu, comunidades, na zona rural de Alegre e Cachoeiro de Itapemirim. Na região Sudeste há outras charolas em atividade, em Minas Gerais.

Charola significa um andor em procissão. O ritual do grupo faz parte do catolicismo popular e reproduz uma espécie de procissão para exaltar as virtudes do santo, que teria sido martirizado por defender a sua fé cristã.
A Charola tem 16 componentes: mestre, contramestre, bandeireiro, foliões e as dançarinas – todos considerados “soldados” de São Sebastião. Cada elemento desempenha uma função diferente. Cabe ao mestre dirigir o grupo e conduzir as toadas por meio do apito. O contramestre assume o lugar do mestre quando este, por alguma razão, é impedido de atuar. O bandeireiro tem como função conduzir a bandeira à frente do cortejo. Os foliões tocam instrumentos musicais, enquanto as dançarinas repetem passos coreografados no meio da roda.